domingo, 18 de outubro de 2015

Fogo da alma,


Arde-me a alma por dentro,
Fogo da traição do ser,
Sofrer atroz, por traição à vontade
Ao desejo profundo, de me escurecer
Fechar-me em mim, assassinos
Sangram os versos, as palavras
Arde em ciúme, a lingerie caída
O alvo corpo, na oferta do pecado
Cabelos de oiro, agoiro de minha carne
Flagelo-me, no sofrer atroz de me ausentar
De sair de mim próprio,
Carne que se desprega
Dos tenros ossos quebradiços
Arde todo o meu ser,
No fogo permanente da traição
Ao desejo de mim próprio!
 
Sírio Andrade®
 
 

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Perda de tempo


Preso num redoma circular, no movimento
Apressado pelo contra relógio do pensar
Tempo perdido com o ignóbil e vasto sentir
Nada importa, nada é real, tudo existe
Apenas no agora, no imediato,
Perco tempo, como se perde tempo
No sonho, no pensar futuro, nada é
Nada será, nada existe, tudo se desfaz
Nada é eterno tudo se desfaz na espuma
De uma qualquer onda, que lentamente
Morre ao chegar ao seu almejado destino!
De que me vale perder tempo,
Investir no tempo em que me dou
Na dádiva profana e santificada
Da doação do tempo ao sentir
Se nada é verdadeiro, se nada
Se todo o tempo é um gigantesco
E narcisista “eu” que tudo absorve
Monopolizando para si o eixo
Onde centralizamos os sonhos
Nunca partilhados por ti!
Manténs-me cativo a ti
Preso no movimento circular
Do tempo que a mim
Misericordiosamente
Me vais concedendo
Como uma mera esmola
Do teu ignóbil sentir!
 
In: Antologia Depressiva
 

Sírio Andrade®
 

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Miséria!

A cada passo
tropeço 
caio
cegueira humana
que me tolhe
narcisista querer
olhar e não ver
que escolho
ignorar
irresponsabilidade
consciência
consumista
do meu prazer
de ter
sem dar
sem partilhar
amputo-me
da vã humanidade 
que ainda me resta
e escolho
apenas
olhar para o lado!

Sírio de Andrade®
In: Antologia Depressiva